Investir fora do seu banco pode ser mais vantajoso, mas exige cuidado.
Ampliar os horizontes pode ser uma estratégia para conquistar rendimentos melhores
Existem mais de 12 mil fundos de investimentos disponíveis no país. A maioria dos investidores somente vai
conhecer, talvez, a dúzia de produtos oferecida pelo seu próprio banco.
Ampliar os horizontes pode ser uma estratégia para conquistar
rendimentos melhores, cada vez mais difíceis em um cenário de juros reduzidos, inflação em alta e um desempenho pobre da Bolsa de Valores.
Além dos bancos, corretoras de
valores,
shopppings financeiros e boutiques de investimentos também distribuem
aplicações financeiras, como CDBs de bancos médios e pequenos, além de
fundos administrados por gestoras independentes de investimentos.
Buscar opções além do universo dos grandes bancos inclui boas
surpresas, como encontrar fundos DI a custos bem mais baixos e CDBs com
rendimento melhor, mas também alguns riscos.
A expansão do mercado
Ironicamente, o momento ruim da Bolsa de Valores está
favorecendo o investidor mais interessado. A participação da pessoa
física no
mercado de ações encolheu nos últimos anos: representavam pouco mais de 25% do volume de negócios, e agora, mal ultrapassam 15%.
As corretoras de valores, que faturam principalmente com a
intermediação de negócios na Bolsa de Valores, foram forçadas a
diversificar suas atividades.
Muitas já distribuem fundos de investimentos de várias
instituições financeiras, além de CDBs e letras de créditos como LCIs
(uma espécie de "CDB imobiliário", que conta com isenção do Imposto do
Renda).
"O funcionário do banco, necessariamente, vai oferecer produtos
somente do próprio banco. Em uma corretora independente, você vai ter
acesso a fundos de várias instituições financeiras. Somente nessa
diversificação você já ganha uma vantagem", diz o educador financeiro
Leandro Rassier, autor do livro "Como conquistar sua independência
financeira".
As diferenças de desempenho
Há muita diferença entre um fundo conservador de um grande banco e
outro de uma corretora independente? A diferença principal está nos
custos.
Com uma boa pesquisa, é possível encontrar fundos DI para valores
em torno de R$ 5.000 que cobram taxas de administração inferiores a 1%.
Nos grandes bancos, as taxas de administração para pequenos valores
ainda seguem bem acima desse valor.
As diferenças de desempenho ficam mais interessantes nos fundos
de investimentos mais sofisticados, e que podem oferecer rendimentos
acima dos produtos mais tradicionais.
Grandes bancos faturam bilhões de reais e podem contratar mais
analistas e os melhores profissionais na área de gestão de
investimentos.
Em tese, portanto, têm todas as condições de oferecer os melhores
produtos para os seus clientes. Mas a prática pode ser um pouco
diferente.
Para começar, porque algumas das melhores aplicações financeiras
criadas pelos grandes bancos, às vezes, podem ser oferecidas somente
para a clientela de alta renda, com mais de R$ 50 mil ou R$ 100 mil para
investir.
Depois, por uma questão de acomodação. Com uma ampla rede de agências
bancárias, é fácil para um grande banco distribuir seus produtos para
uma clientela fiel: seus correntistas.
Uma gestora independente, que ganha dinheiro somente com a oferta
de seus fundos de investimentos, têm mais estímulo para oferecer um
produto com ganho diferenciado. "Algumas gestoras se especializaram em
um nicho de mercado e competem muito bem com os grandes bancos", diz
Frederico Skwara, especialista do portal Bússola do Investidor.
A diferença de foco
Fora dos universo dos grandes bancos, especialistas também veem
diferenças no atendimento ao cliente, outra vez, por uma questão de
estímulos de cada parte.
Bancos ganham dinheiro de diversas formas, como a prestação de
serviços (pagamento de contas, transferência de recursos entre outras) e
a concessão de empréstimos. A oferta de investimentos é uma parcela
importante dos ganhos, mas não a atividade principal. A função
primordial dos bancos é captar recursos (através de CDBs, por exemplo) e
emprestar a um custo mais alto.
O fato de o título de capitalização ser um produto mais popular
nas agências bancárias do que o Tesouro Direto já fornece uma pista das
prioridades da instituição financeira.
Uma distribuidora de produtos financeiros, como uma corretora ou
uma boutique de investimentos, ganha dinheiro com as taxas cobradas nos
produtos. Têm mais estímulo, portanto, para oferecer aplicações com
ganhos melhores para fidelizar o cliente.
Há pelo menos duas ressalvas importantes para o cenário anterior.
Primeiro, porque concentrar a vida financeira (o pagamento de contas, o
financiamento de um imóvel, a caderneta de poupança) em um banco traz
vantagens em termos de custos para o correntista.
Em tese, um gerente de banco também possui muito mais informações
sobre o perfil de um cliente na comparação com um profissional, mesmo
que especializado, de uma corretora independente.
A questão dos custos e o obstáculo da burocracia
Migrar do banco em que o investidor mantém sua conta corrente e
buscar alternativas em uma corretora independente exige algum esforço do
interessado.
É preciso preencher contratos e entregar cópias de documentos, em
um processo um pouco mais burocrático do que abrir uma conta corrente.
Algumas corretoras têm facilitado essa tramitação por meio da Internet: é
possível cumprir todos esses passos por e-mail.
Outro ponto importante é a questão dos custos. Para transferir
recursos de sua conta corrente, é preciso pagar DOCs e TEDs. Negociar
com o gerente do banco a gratuidade de algumas dessas ordens de
pagamento por mês é recomendável.
Quais os riscos?
O investidor deve manter o valor mínimo possível de dinheiro
parado na conta aberta em uma corretora. Caso essa distribuidora de
produtos quebre, pode ser mais complicado recuperar a quantia
depositada.
Mas, uma vez que o dinheiro já esteja aplicado, os riscos caem
bastante. CDBs são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até o
limite de R$ 70 mil. O patrimônio de um fundo de investimento (o
dinheiro aplicado pelos investidores) não se confunde com o patrimônio
da instituição responsável pela gestão dos recursos.
No caso da Bolsa, as ações compradas ficam sob responsabilidade da CBLC, uma empresa da BM&FBovespa.
Cuidado com as roubadas
Os grandes bancos são marcas conhecidas pelo investidor há vários
anos. Têm credibilidade e tradição. Fora desse universo, o investidor
pode estar sujeito a golpes ou aplicações equivocadas, mais arriscadas
do que era sua intenção inicial.
Há pelo menos duas saídas para esse problema:. checar o registro da
instituição financeira em questão na CVM e pesquisar bem antes de
aplicar o dinheiro, para se prevenir contra ofertas miraculosas de
investimentos e potenciais pirâmides.
"Os bancos são muito cobrados para conhecer o seu cliente, para
aplicar testes que realmente definem qual o perfil daquele investidor.
Eu tenho dúvidas se já existe esse nível de cobrança sobre as corretoras
[independentes]", diz Mário Amigo, professor de Finanças da Fipecafi
(Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, de
São Paulo).
Contra os investimentos enganosos, a melhor solução é
conhecimento. "O investidor tem que realmente pesquisar antes de
investir. Precisa conhecer os produtos, as regras de jogo. Esses golpes
acontecem por uma combinação de ganância e desinformação", diz Richard
Rytenband, Diretor da Infopro Brasil (Instituto de Formação
Profissional).
"Mas acho que, se o investidor procurar as grandes casas de investimentos, dificilmente vai ter problemas".
FONTE:
UOL